Com metas desumanas , PQV Caixa assedia e pune funcionários

13/01/2021

Camuflado na fachada de uma moderna ferramenta de gestão de vendas, PQV transfere responsabilidades do banco para os empregados, que ficam sujeitos à instauração de procedimento disciplinar e civil.

Estamos no novo ano há mais de uma semana, mas a sensação é de que 2020 ainda não acabou. A pandemia do coronavírus segue dizimando vidas. O Brasil já rompeu a marca catastrófica de mais de 200 mil mortos; a vacina não passa de uma promessa .

Para os empregados da Caixa, que viveram um verdadeiro pesadelo em 2020, encarando todos os dias a covid em agências aglomeradas e filas quilométricas, o clima de tensão nos primeiros dias de 2021 é tão pesado quanto o do ano passado. Embora a covid esteja em franca ascensão, com registro de novos casos e óbitos superando marcas da primeira onda, a direção da Caixa impôs um novo pacote de metas aos empregados que ignora as crises sanitária e socioeconômica que dão sinais que vão se agravar neste ano.

Caixa lava as mãos

Com o nome mercadológico de Programa de Incentivo às Práticas de Vendas Qualificadas, o PQV é, na verdade, uma ferramenta de controle e pressão para tentar “espremer” mais resultados dos empregados. “Em síntese, o PQV é uma máquina de triturar empregados. Dentro da lógica neoliberal, onde meritocracia e competitividade são valores consagrados, o PQV tem uma veia ainda mais perversa: isenta o banco de responsabilidades e as transfere para os empregados. Aqui vale a Lei de Pilatos, a Caixa simplesmente lava as mãos e entrega a cabeça do empregado ao cliente”, critica a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Lizandre Borges.

Ela explica que a Caixa irá, com a ferramenta, monitorar as “condutas irregulares” dos empregados. “Condicionar a aquisição de produtos e/ou serviços à compra de produtos/serviços, cerceando a liberdade de escolha do cliente (venda casada); ocultar produtos e/ou serviços não solicitados na contração de produtos/serviços, sem prévia concordância do cliente (venda oculta/clandestina)”.

Lizandre diz que esses dois exemplos (acima) que aparecem no PQV como passíveis de punição, muitas vezes são exigências impostas veladamente pelo próprio banco. “Vamos nos colocar na posição do empregado. Pressionado por metas inatingíveis, vender os produtos do banco passa a ser quase uma obsessão. Se a venda casada passar, ótimo para os resultados do banco. Se alguma coisa der errado no meio do caminho e houver uma queixa, a Caixa vai se indignar ao lado do cliente e se voltar contra o empregado. Irá alegar que há um normativo e que a responsabilidade é toda do empregado, que atravessou a linha estabelecida pela própria Caixa”.

Para além do assédio

Para a dirigente, esse tipo de punição está um grau acima do assédio. “É para além do assédio. A ferramenta foi concebida premeditadamente para punir o empregado que não entrega o que a Caixa exige. O problema é que as metas estabelecidas pelo PQV são intangíveis, desumanas. Não se pode falar em qualificação quando a ferramenta tem a finalidade de punir aqueles que não conseguem atingir as metas”.

O regulamento do programa deixa explícito que sua pretensão é “monitorar, mitigar e inibir comportamentos inadequados, educando os empregados para a prática da venda qualificada e o cumprimento da Política de Relacionamento com Clientes e Usuários de Produtos e Serviços Caixa”. Segundo Lizandre, palavras como “educar”, “inibir”, “comportamentos inadequados” indicam a relação de opressão que o banco estabelece com seus empregados para impor metas.

Indicadores

A Nota de Qualidade de Vendas (NQV) define quatro indicadores: vendas não canceladas de produtos de seguridade; vendas não canceladas de cesta de serviços; nível de ativação de cartão de crédito; reclamações dos produtos seguridade, cesta e cartão de crédito relativas à venda casada, venda oculta/clandestina, venda inadequada, venda irregular e recusa/dificuldade de cancelamento.

O empregado inicia o ciclo com NQV igual a 100 e pode aumentar ou perder pontos ao longo da avaliação. A cada mês do ciclo, os empregados podem acumular, no máximo, 12 pontos, ou perder, no máximo, 25 pontos.

O chamado nível de excelência é atingido com mais de 100 pontos; quem atinge 80 a 100 pontos fica dentro do aceitável mas recebe o alerta de que precisa qualificar mais as vendas. Qualquer pontuação inferior a 79 deve ser interpretada como uma advertência: o banco não está nada satisfeito com o desempenho do empregado.

Ao atingir a última faixa de pontuação (29 pontos ou menos), “o resultado da avaliação pode indicar o direcionamento para medidas de gestão ou à área/gestor competente pela instauração de procedimento disciplinar e civil (conforme AE079), quando houver indícios de infração disciplinar”, diz o normativo.

Segundo Lizandre, esse trecho do normativo mostra o quanto a ferramenta é perversa. Ela pondera que há uma série de variáveis, algumas extremamente subjetivas, outras conjunturais, que podem ser decisivas para um resultado insatisfatório.

“A realidade, muitas vezes, está a anos-luz das metas estabelecidas pelo PQV. Vale repetir, seguimos imersos à mais grave pandemia dos últimos 100 anos; os empregados da Caixa estão fadigados ainda tentando se refazer da hecatombe do ano passado. Além da crise de saúde, que segue com força total, viramos o ano com mais de 17 milhões de brasileiros, agora sem auxílio emergencial, vivendo abaixo da linha da pobreza; outros 14 milhões de desempregados e por aí vai. A Caixa é historicamente um banco com propósito social. Vamos relembrar à direção da Caixa que nossos clientes, em sua maioria, são pessoas humildes, que não costumam entrar no banco com apetite para devorarem prateleiras inteiras de produtos de seguridade ou da tal cesta de serviços. Essa não é a realidade do cliente da Caixa”.

Lizandre afirma que a Caixa deveria rever imediatamente os critérios do PQV e redesenhar um novo programa de venda identificado com os propósitos da empresa e alinhado à atual conjuntura, que é de crise. “O programa de vendas com essa concepção só servirá para piorar esse clima de tensão e pressão que envolve a Caixa hoje e agravar os casos de adoecimento de empregados, que vêm aumentando nos últimos anos. De qualquer maneira, a realidade nos alerta que a segunda fase do PQV, essa que é para valer, entra em vigor a partir do dia 21 de janeiro. Importante que os empregados fiquem com a atenção redobrada para evitar as armadilhas do novo programa. Importante também pedir orientação ao Sindicato e denunciar os casos de assédio que devem se multiplicar nos próximos meses com o PQV a todo o vapor”, recomenda a dirigente.

Voltar
Seja um de nossos afiliado

Seja um de nossos afiliado

Faça parde do nosso sindicato!

Quero me Filiar

Cadastre seu e-mail

E comece a receber as notícias semanalmente direto no seu e-mail!

Previsão Orçamentária

O Sindicato dos Bancários de Tubarão e Região disponibiliza o acesso do planejamento das atividades financeiras da entidade para conhecimento de todos.

Veja

Links Importantes

Para facilitar o acesso aos sites de interesse dos bancários, o Sindicato recomenda os seguintes links:

Veja

Eventos

O Sindicato dos Bancários sempre empenhado em manter um ótimo relacionamento, propor uma inúmeros eventos aos seus associados.

Veja