Santander: custos abusivos no plano de saúde assustam bancários

23/10/2018

Valores exorbitantes da coparticipação e cobranças para todos os procedimentos cobertos pelo convênio geram indignação nos funcionários

O Sindicato vem recebendo inúmeras reclamações de bancários apontando que está ficando impossível pagar os custos da coparticipação do plano de saúde oferecido pelo banco.
Uma bancária conta que teve de levar seu filho com urgência ao pronto socorro e foi cobrado cerca de R$ 80 por esse atendimento. Segundo a trabalhadora, que está afastada, todos os exames e consultas realizados pelo convênio passaram a ser cobrados.

“O que me admira é que antes não havia tal cobrança dessa coparticipação. Lembro que no inicio foi dito que iriam cobrar a coparticipação referente ao uso de psicoterapia, nutricionista, ou RPG, mas agora tudo é cobrado. É realmente um absurdo”, protesta.

Segundo a bancária, no mês de setembro ela recebeu uma cobrança de mais de R$ 500 de coparticipação, além da cobrança da assistência médica, que é de R$ 136,56.

“Estou afastada, então o banco esta debitando esse valor absurdo na complementação de acidente de trabalho, que é de pouco mais de R$ 1.000. Recebi de salário esse mês menos de R$ 300, não tenho como arcar com tal cobrança.”

Histórico de aumentos abusivos
Desde 2013, o Santander vem sistematicamente quebrando regras do contrato de trabalho transferindo para os trabalhadores a maior parte dos custos com o plano de Saúde.

Em novembro daquele ano o banco aplicou reajuste de cerca 30% na mensalidade e implementou a cobrança por faixa etária. O Sindicato conseguiu impedir esse aumento através de uma ação trabalhista.

Em novembro de 2014, o banco aplicou novo reajuste de cerca de 20% e reduziu de 24 para 21 anos a permanência do filho no plano de saúde como dependente. O filho com idade entre 21 e 24 anos passou a permanecer coberto pelo convênio, mas como agregado, pagando o preço de mercado.

Nos meses de novembro dos dois anos seguintes, o banco aplicou novamente reajustes muito acima da inflação.

Em fevereiro de 2017, o Sindicato foi informado que o banco rescindiria o contrato com a Bradesco Saúde e passaria o serviço para a Sul América Saúde, implicando em aumento da coparticipação de 20% para 25% nas consultas, exames e terapias. E a partir da sexta consulta, a coparticipação passará para 30%.

Desde que tomou conhecimento das mudanças unilateral realizada pelo Santander, o Sindicato cobrou que o banco deveria rever a forma de cobrança de coparticipação, pois é inviável economicamente para os trabalhadores.

“Esse modelo é perverso, pois o trabalhador descobre que não consegue pagar a coparticipação justamente no momento que está doente e precisa fazer vários exames, ficar internado ou ser atendido no pronto socorro”, diz a dirigente Vera Marchioni. “Os trabalhadores portadores de doença crônica também estão endividados, pois precisam de acompanhamento médico e realizar exames regularmente e ficam refém da coparticipação que consome grande parte do salário”, acrescenta Vera.

O Sindicato já discutiu esse tema com o banco e reivindicou, entre outras medidas, que se estabeleça um teto para o desconto mensal da coparticipação somado a mensalidade. “É inadmissível que um banco tão lucrativo como o Santander deixe o seu trabalhador, que está doente, praticamente sem salário por causa do alto custo da assistência médica”, conclui Vera Marchioni.

Fonte: SP Bancários

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