Copom alerta que pode retomar alta da Selic, se inflação seguir acima da meta

23/09/2025

Diretoria do Banco Central segue incomodada com as expectativas de inflação acima do centro da meta de 3% (Por Márcio Juliboni)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) pode retomar o ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, caso as projeções de inflação sigam acima da meta de 3%. O alerta consta na ata da última reunião, divulgada nesta terça-feira, 23. Na semana passada, o colegiado do BC votou por unanimidade para manter a Selic em 15% ao ano. “O Comitê seguirá vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado”, afirma o BC na ata publicada hoje.

Segundo o documento, o balanço de riscos continua empatado com três fatores que podem elevar a inflação contra outros três fatores que tendem a trazê-la para o centro da meta. Entre as pressões de alta, o Copom cita uma desancoragem das expectativas de inflação por mais tempo que o esperado, maior resiliência da inflação de serviços, e uma conjuntura interna e externa que elevem os preços. Entre os fatores que contribuiriam para a queda das expectativas de inflação, estão uma eventual desaceleração da economia em ritmo maior que o previsto, uma desaceleração da economia global mais intensa, decorrente da guerra tarifária lançada pelos Estados Unidos, e uma redução no preço das commodities.

De todos os elementos analisados na reunião do Copom dos dias 16 e 17 de setembro, dois são citados com mais frequência na ata divulgada hoje. O primeiro é a permanência das projeções de inflação acima do centro da meta. A diretoria do BC lembra que “as expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,8% e 4,3%, respectivamente”. Por isso, o colegiado do BC afirma na ata que “a desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida”.

O segundo elemento recorrente no texto divulgado hoje é a inflação de serviços, que segue forte e é relativamente imune à política monetária. Isto, porque os preços dos serviços dependem mais da renda do que do crédito. “A inflação de serviços tem se mantido mais resiliente, respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual.”

Ainda assim, o BC enxerga sinais de que sua estratégia de combate à inflação começa a dar resultados. Na ata, a instituição afirma que “a conjuntura de atividade econômica doméstica segue indicando certa moderação no crescimento. Tal conjuntura traz maior convicção de que o cenário delineado pelo Comitê está, até agora, se concretizando. (…) O Comitê avalia que, apesar dos sinais mistos, os sinais advindos da demanda e da atividade econômica até aqui sugerem que o cenário se desenrola conforme esperado e compatível com a política monetária em curso.”

Fonte: Veja

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