Rombo no FGC é quase metade do lucro dos bancões em 2025

20/02/2026

Conglomerado do Master, Will Bank e Banco Pleno tiveram impacto de R$ 51,8 bilhões no fundo (Por Hamilton Ferrari) 

Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Master em novembro; Banco Pleno teve intervenção nesta 4ª feira (18.fev).

O rombo provocado pelo Banco Master no FGC (Fundo Garantidor de Crédito) é quase metade do lucro líquido recorrente dos 4 bancões listados na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) em 2025. Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander Brasil lucraram R$ 107,7 bilhões no ano passado.

O rombo de R$ 51,8 bilhões no fundo corresponde a 48,1% de todo o resultado financeiro positivo das maiores empresas do setor.

O BC (Banco Central) havia aprovado em 24 de julho de 2025 a transferência de controle do Banco Voiter (atual Banco Pleno) para o ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima. Na época, a autoridade monetária já tinha conhecimento das fraudes do Master e das carteiras falsas.

O conglomerado do Master foi liquidado em 18 de novembro de 2025. A intervenção no Banco Pleno foi feita 3 meses depois.

Sem citar um banco específico, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, havia declarado, em evento da ABBC (Associação Brasileira de Bancos) em 9 de fevereiro, que “a instituição é vítima de um eventual problema que possa ter ocorrido com quem tomou aquelas decisões”.

E completou: “Você não pune a instituição e salva as pessoas. Você tenta salvar a instituição e pune as pessoas que possam ter feito mal”. Galípolo disse ainda que o prejuízo no FGC seria maior se não fosse a atuação do Banco Central.

ROMBO NO FGC
O rombo no FGC será de R$ 52,8 bilhões no caso Master. O fundo é uma entidade privada, mantida pelos bancos, que funciona como uma espécie de reserva para investidores em caso de quebra ou intervenções. Resguarda até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição.

O Banco Central decretou as seguintes intervenções:

-conglomerado Master – rombo de R$ 40,6 bilhões;

-Will Bank – rombo de R$ 6,3 bilhões;

-Banco Pleno (ex-Banco Voiter) – rombo de R$ 4,9 bilhões.

-Os bancões lucraram R$ 107,7 bilhões em 2025.

O FGC publicou uma nota nesta 4ª feira (18.fev.2026) para dizer que os pagamentos aos investidores serão efetuados a partir dos dados e valores indicados pelo liquidante, que é o responsável legal indicado pelo Banco Central.

O Banco Pleno tem uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis ao pagamento da garantia, que somam R$ 4,9 bilhões. Todos os créditos enquadrados no Regulamento do FGC terão o processo de pagamento iniciado tão logo o levantamento dos dados dos credores seja concluído e disponibilizado.

QUEM É AUGUSTO FERREIRA LIMA
Augusto Ferreira Lima, conhecido no mercado financeiro como Guga Lima, é um empresário brasileiro com atuação no setor de crédito consignado e no sistema bancário. Baiano de nascimento, Lima construiu sua carreira a partir do varejo popular e ascendeu rapidamente no setor financeiro a partir de 2018, quando entrou no segmento de crédito ligado à administração pública e a funcionários públicos.

A vida empresarial de Lima começou fora do sistema bancário tradicional. Empresário com atuação regional na Bahia, ele migrou para o mercado financeiro com a estrutura monetária ligada à rede de varejo da Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal responsável pela rede Cesta do Povo, adquirida em processo de privatização durante o governo do petista Rui Costa (2015-2022), hoje ministro da Casa Civil de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Foi a partir dessa operação que ele estruturou o Credcesta, um produto de crédito consignado voltado inicialmente a servidores públicos estaduais, que ganhou escala por meio de convênios com o Estado e ampla divulgação institucional, tornando-se um dos principais negócios de Lima no segmento.

Em 2019, Lima entrou na sociedade do Banco Master, então controlado por Daniel Vorcaro, levando o Credcesta para dentro do conglomerado e assumindo papéis de liderança estratégica. O produto se tornou um dos motores de crescimento do banco, e Lima chegou a ser CEO do Master, participando de planos de expansão e de negociações relevantes do banco no mercado.

AQUISIÇÃO DO BANCO PLENO
Em 2024, Lima se desligou da sociedade com Vorcaro e da gestão do Banco Master. Cerca de 1 ano depois, em junho de 2025, ele adquiriu o Banco Voiter S.A. (antigo Banco Pleno), que integrava o conglomerado prudencial do Master.

A transferência de controle foi aprovada pelo Banco Central em 24 de julho de 2025, mesmo com identificação, pelos próprios técnicos do regulador, de irregularidades e “créditos podres” ligados ao Master. Essa autorização ocorreu enquanto havia comunicação formal de indícios de fraude ao Ministério Público Federal –o que tem sido motivo de debates sobre a atuação do BC na supervisão bancária.

Após a compra, a instituição passou a se chamar Banco Pleno S.A., sob controle de Lima, que fez aportes de capital e integrou ali os negócios de crédito consignado –especialmente o Credcesta–, operando sob a nova bandeira bancária. (Fonte: Poder360)

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