Com uso da IA, perdas com golpes bancários devem disparar 120% até 2030

14/07/2026

De acordo com estudo, o custo para executar uma fraude avançada caiu mais de cem vezes – Por Leonardo Godim

Com a ampliação do uso da inteligência artificial por criminosos, as perdas por fraude em instituições financeiras globais devem aumentar mais de 120% até 2030, passando de cerca de US$ 25 bilhões em 2025 para US$ 55,3 bilhões ao fim da década. Os dados foram publicados no Relatório de Inteligência Sobre Fraude de Identidade: Tendências e Insights, pela empresa de verificação de identidade Unico em parceria com a Liminal.

A sofisticação é uma das principais preocupações de profissionais do setor de segurança digital. O custo para executar uma fraude avançada caiu mais de cem vezes, impulsionado pela industrialização de ferramentas de IA generativa acessíveis via modelos de assinatura com baixo custo de entrada. Nesse novo cenário, quase 90% dos profissionais apontam conteúdos sintéticos, como documentos manipulados e personificação por bots, como um das principais desafios atuais.

Um desses casos é o “deepfake”, recurso no qual a IA é usada para simular a voz ou até uma aparição em vídeo de uma pessoa. Uma única instituição registrou, no início de 2025, 8.065 tentativas de fraude com essa recurso em oito meses, com US$ 347 milhões em perdas verificadas atribuídas a elas.

O relatório mostra que o Brasil está na região que lidera os ataques de identidade sintética no mundo. Com 48,3% dos casos registrados na América Latina esse índice é mais que o dobro da média global de 23%.

Ataques de identidade são usados principal para roubar contas bancárias e transferir rapidamente todos os valores antes que o proprietário consiga acionar a instituição financeira. Estima-se ao redor do mundo 6 milhões de pessoas tenham sido vítimas desse crime em 2025.

“O Brasil é o principal termômetro para entender a transição da fraude. Temos um ecossistema altamente avançado, impulsionado por pautas ativas de Open Finance e regulado pela LGPD, mas é essa mesma escala que atrai ataques massivos, como as 500 mil tentativas de deepfakes bloqueadas na região”, afirma Fernanda Beato, General Manager da Unico no Brasil.

Na avaliação dos autores do relatório, todos os países estão sujeitos a falhas na segurança no novo ambiente criado pela inteligência artificial. “Não há mercado seguro, apenas pontos diferentes da mesma curva [de exposição]”.

A conclusão dos autores é que a regulação em torno de barreiras de defesa comum entre as instituições financeiras deve crescer, à medida em que defesas isoladas perdem efetividade. O problema, porém, é que essa comunidade não pode prescindir da privacidade das informações dos clientes.

Fonte: Valor Investe

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