Bem-vindo ao site do Sindicato dos Bancários de Tubarão
Alta do petróleo, juros ainda elevados e tensão geopolítica devem fazer investidores sorrirem e chorarem na mesma proporção – Por Laelya Longo
Os balanços do segundo trimestre de 2026 começam a ser divulgados nesta terça-feira (14), com dados da Romi (ROMI3), depois do pregão. No pano de fundo desta temporada estão eventos que mexeram, em algum grau, com todos os setores representados na bolsa. E, como diz o ditado, enquanto uns choram, outros vendem lenços.
Entre abril e junho, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã elevou a volatilidade nos mercados globais, impulsionou o preço do petróleo e reacendeu preocupações com inflação e juros. No Brasil, embora o Banco Central (BC) tenha mantido o ciclo de cortes da Selic, o custo do crédito permaneceu elevado durante boa parte do período, pressionando empresas mais endividadas. E, embora os juros tenham começado a cair, possivelmente será menos do que se previa antes da guerra.
Na avaliação de analistas, esse cenário deve produzir um retrato bastante heterogêneo dos balanços.
A alta do petróleo, claro, tende a impulsionar os resultados das petroleiras. Mas, ao mesmo tempo, aumenta custos para empresas intensivas em combustíveis e transporte. “O barril é democrático apenas na aparência: melhora o balanço de alguns enquanto piora a inflação de todos”, afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.
O consenso é que a temporada será menos marcada por um setor dominante e mais pela capacidade de cada companhia de proteger margens, controlar despesas financeiras e executar sua estratégia.
Entre os destaques positivos, o setor de óleo e gás deve se beneficiar da valorização do barril ao longo do trimestre. Segundo Igor Monteiro, CEO da EqSeed, Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3) encerraram o período em um contexto favorável, o que deve aparecer em indicadores como receita e geração de caixa.
Outro segmento que chega fortalecido à temporada é o de seguros. Monteiro espera resultados consistentes de Caixa Seguridade (CXSE3) , Porto (PSSA3) e BB Seguridade (BBSE3), sustentados por receitas recorrentes, menor volatilidade operacional e modelos de negócio mais previsíveis.
Para Heitor De Nicola, especialista em renda variável da Avin, bancos e utilities também devem figurar entre os setores mais resilientes. No sistema financeiro, os juros elevados continuam favorecendo as margens, embora a atenção do mercado permaneça voltada para inadimplência e custo do crédito. Entre os bancos, ele destaca Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) como potenciais destaques positivos.
Brás, da Magno, vai na mesmo linha. Para ela, investidores devem acompanhar de perto indicadores como crescimento da carteira de crédito, provisões, retorno sobre o patrimônio e a evolução da inadimplência. Segundo ela, instituições com captação mais barata, maior participação de receitas de serviços e melhor qualidade da carteira tendem a entregar resultados mais consistentes.
Já o desempenho das commodities deve variar conforme o segmento. Enquanto o petróleo favorece as empresas de óleo e gás, mineração e siderurgia continuam dependentes da atividade econômica chinesa e do comportamento dos preços internacionais.
Brás vê a Gerdau (GGBR4) entre os nomes mais bem posicionados para a temporada, beneficiada por um ambiente mais favorável nos Estados Unidos e maior disciplina comercial no mercado doméstico. Em contrapartida, afirma que a mineração ainda inspira cautela diante da oscilação do minério de ferro e da dependência da demanda chinesa.
Na outra ponta, varejo, construção civil e empresas mais alavancadas tendem a sentir com mais intensidade o ambiente de crédito ainda caro.
Segundo De Nicola, da Avin, os juros continuam pressionando tanto a demanda quanto as despesas financeiras, sobretudo em companhias mais dependentes de financiamento. No consumo, a expectativa é de um cenário bastante seletivo, favorecendo empresas com balanços sólidos e maior capacidade de repassar custos.
Mais do que o lucro líquido, os analistas afirmam que a temporada deve ser marcada pela qualidade dos resultados. Além do crescimento das receitas e das margens, o mercado deve observar a capacidade das empresas de gerar caixa, controlar o endividamento e sustentar suas projeções para o restante do ano.
Nesse cenário, bancos, petróleo, saneamento, energia, tecnologia e siderurgia aparecem entre os segmentos com melhores perspectivas, enquanto varejo discricionário, incorporadoras mais alavancadas e companhias mais dependentes de crédito caro tendem a enfrentar um trimestre mais desafiador.
Fonte: Valor Investe
VoltarE comece a receber as notícias semanalmente direto no seu e-mail!