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IPCA-15 desacelera para 0,06% em julho impulsionado por queda nos alimentos e reforça apostas em novo corte da taxa Selic pelo Copom
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou variação de 0,06% em julho, vindo abaixo do esperado pelo mercado financeiro e apresentando um resultado qualitativamente melhor do que as expectativas iniciais. A desaceleração da prévia da inflação foi impulsionada por recuos expressivos nos preços dos alimentos e dos combustíveis, o que reforça na avaliação de economistas a possibilidade de continuidade do ciclo de corte da taxa básica de juros da economia, a Selic, na reunião da quarta-feira (5) do Comitê de Política Monetária (Copom), informa Míriam Leitão, do jornal O Globo.
Os dados do IBGE revelaram que o índice veio ainda mais benigno do que o projetado em relação à alimentação em domicílio, que apresentou recuo de 1,14%, e aos combustíveis, com queda de 0,90%. Essa movimentação traz um alívio direto no orçamento das famílias, sobretudo das populações de menor renda, onde o grupo de alimentação tem maior peso. Entre os destaques individuais do grupo de alimentação em domicílio, chamam a atenção as fortes baixas apuradas no tomate (-19,95%), na batata-inglesa (-10,03%) e no café moído (-3,13%).
Projeções para a Selic e o encerramento do ciclo
A expectativa predominante no mercado é de que a redução da Selic na reunião do Copom seja parcimoniosa, repetindo a magnitude de 0,25 ponto percentual. Um corte desse porte levaria a taxa básica de juros dos atuais patamares para 14% ao ano.
Caso a trajetória descrita na mais recente edição do Boletim Focus — divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central — se confirme, o movimento de redução dos juros se encerraria já neste mês de agosto. Há cinco semanas consecutivas, os analistas e instituições financeiras ouvidos pelo Banco Central mantêm a estimativa para a Selic ao final do ano estabilizada em 14%.
Em contrapartida, as estimativas para o índice geral de inflação ao fim deste ano continuam em queda. De acordo com o Boletim Focus, os analistas reduziram pela quarta semana seguida a projeção para o IPCA no encerramento de ano, que caiu para 5,12%, ante os 5,33% previstos há um mês.
Leitura qualitativa e núcleos de inflação
Para além do número cheio do IPCA-15, os indicadores qualitativos observados de perto pela autoridade monetária sinalizam melhora na trajetória dos preços. A análise das médias móveis de três meses para os principais agregados monitorados pelo Banco Central aponta desaceleração nos serviços subjacentes, nos serviços intensivos em mão de obra e nos núcleos de inflação na passagem de junho para julho. Notadamente, a média móvel de três meses do núcleo situou-se abaixo do limite superior da meta de inflação. Além disso, o índice de difusão desacelerou nas variações mensais, acompanhado pela desaceleração generalizada de itens e núcleos.
Apesar do alívio inflacionário interno proporcionado pelo IPCA-15, o cenário prospectivo exige cautela devido às oscilações no ambiente geopolítico internacional.
Fonte: Brasil247
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