Bem-vindo ao site do Sindicato dos Bancários de Tubarão
Copom elevou Selic a 14,75%, maior nível desde agosto de 2006, e manteve em aberto decisões nas próximas reuniões (Por Thaís Barcellos)
O Banco Central mostrou mais confiança na desaceleração da atividade econômica na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira. Segundo informado na ata, apesar dos dados mistos, o BC observa uma incipiente moderação no crescimento, em parte devido ao processo de aumento de juros, cujos efeitos devem se aprofundar nos próximos trimestres.
Segundo o BC, a moderação da atividade é um elemento “necessário” para a convergência da inflação à meta de 3,0%, principal missão do Copom. Atualmente, o Copom estima que o IPCA – índice de inflação oficial – vai terminar este ano em 4,8% e 2026, em 3,6%. O intervalo de tolerância da meta é de 1,5% a 4,5%.
“A conjuntura de atividade segue marcada por sinais mistos com relação à desaceleração de atividade, mas observa-se uma incipiente moderação de crescimento. Isso não diverge do cenário-base do Comitê, que envolve uma inflexão no período corrente, para, então, reduzir o dinamismo nos trimestres subsequentes”, disse em um trecho da ata.
“Alguns fatores elencados durante a reunião seguem dando confiança ao Comitê de que o processo de moderação de crescimento deve ocorrer, após vários anos de surpreendente dinamismo”, completou, avaliando também que a moderação do dinamismo deve ocorrer também no mercado de trabalho.
Em outro momento do documento, o BC afirmou que os juros “significativamente” contracionistas, ou seja, com impacto restritivo sobre a atividade econômica, já têm contribuído para a moderação do crescimento, com efeitos no mercado de crédito, nas sondagens empresariais, no mercado de câmbio, nos balanços das empresas, assim como na moderação de alguns indicadores de atividade e de mercado de trabalho.
“Tais impactos são esperados e requeridos para a convergência da inflação à meta. Dadas as defasagens inerentes aos mecanismos de política monetária, espera-se que tais efeitos se aprofundem nos próximos trimestres.”
O BC deu especial ênfase para o mercado de crédito, que, segundo a autoridade monetária, já mostra “alguma inflexão” em algumas modalidades. No caso de pessoas físicas, o Copom acrescentou que “um aumento do comprometimento da renda familiar com o serviço das dívidas pode estar antecipando uma menor demanda por crédito”.
Nesse ponto, o BC reforçou que é preciso assegurar que os canais de transmissão da política monetária estejam desobstruídos para garantir que o aumento de juros faça efeito na economia real.
“Para o cumprimento de seu mandato e convergência da inflação à meta com menores custos, a política monetária deve ser capaz de atuar sem impedimentos em todos os canais.”
Recorde em quase duas décadas
A ata refere-se ao Copom da semana passada, que decidiu pelo aumento de 0,50 ponto percentual da taxa Selic, de 14,25% para 14,75% ao ano Esse é o maior patamar dos juros básicos desde agosto de 2006, quando a taxa também estava em 14,75%.
Assim como no comunicado, o BC não deu sinais concretos sobre seus próximos passos de política monetária. As apostas do mercado financeiro se dividem entre manutenção em 14,75% no encontro de junho ou mais uma alta de 0,25pp, para 15%.
Para o colegiado, o cenário de incerteza, especialmente externa, e o estágio avançado do ciclo de aumento da Selic, com impactos ainda a serem sentidos, demandam “cautela adicional” e flexibilidade. Desde setembro, os juros já subiram 4,75pp.
“Para a próxima reunião, o cenário de elevada incerteza, aliado ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional na atuação da política monetária e flexibilidade para incorporar os dados que impactem a dinâmica de inflação”, disse o Copom, no comunicado, acrescentando que o comitê seguirá “vigilante” e que a “calibragem” do aperto dos juros continuará guiada pela convergência da inflação à meta.
Mas o BC repetiu o trecho do comunicado que dizia que o cenário atual, marcado por expectativas e projeções de inflação longe da meta, atividade resiliente e pressões no mercado de trabalho, “prescreve uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta”. No Copom anterior, em março, o BC indicava que demandava uma política “mais contracionista”.
O Comitê seguirá acompanhando o ritmo da atividade econômica, fundamental na determinação da inflação, em particular da inflação de serviços; o repasse do câmbio para a inflação, após um processo de maior volatilidade da taxa de câmbio; e as expectativas de inflação, que se mantêm desancoradas e são determinantes para o comportamento da inflação futura”, afirmou o Copom na ata.
Discussão sobre riscos
A ata também deixou em aberto outras discussões importantes para calibrar o tamanho do ciclo de aumento de juros. Apesar de ter retirado a frase que classificava o balanço de risco para a inflação futura como assimétrico na direção mais inflacionária, o Copom explicou na ata que houve um debate entre seus membros sobre se o balanço está menos assimétrico ou neutro, mas não trouxe nenhuma conclusão sobre a discussão.
“Avaliou-se que o cenário de maior incerteza aumentou os riscos tanto de alta quanto de baixa para o cenário de inflação, com um debate se ainda se mantinha levemente assimétrico, mas menos assimétrico do que na reunião anterior, ou se já se podia defini-lo como neutro”, afirmou o colegiado na ata.
Nesta reunião, o BC também incluiu um novo risco de baixa: uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários. Agora, são três “ameaças” para cada lado. No lado de mais inflação, são: uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Para baixo, o BC vê os seguintes riscos, além do referente às commodities, uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação e uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza.
Efeito Trump
Na ata, o BC também foi mais claro sobre suas perspectivas para o cenário internacional, especialmente dos Estados Unidos, em meio ao “tarifaço” praticado pelo presidente americano, Donald Trump. Segundo o Copom, o “choque de tarifas e de incerteza” ainda têm impacto bastante imprevisível.
O colegiado cita que há “camadas de incerteza” relacionadas à própria política tarifária, a resposta dos outros países, das empresas, com possíveis impactos nas cadeias globais de prodção, e de consumidores à mudanças de preços. Como efeito, o BC já espera uma redução maior no ritmo de crescimento dos EUA, considerando que o cenário imprevisível já vem se refletindo em decisões de consumo e investimento.
“A incerteza se materializou muito maior do que esperado e se prevê, agora, uma desaceleração na economia norte-americana mais acentuada do que era esperado.”
Em relação ao impacto na economia brasileira, o BC afirma que ainda é cedo para medi-lo. O colegiado destaca que, por um lado, o Brasil parece menos afetado pelas recentes tarifas do que outros países, mas, por outro lado, é impactado por um cenário global adverso.
“Além disso, as condições financeiras globais que prevalecerão serão particularmente importantes, em ambiente com incertezas econômicas e geopolíticas amplificadas.”
O Copom também ressaltou os “dilemas” da política monetária americana diante do risco de aumentos de preços e e redução do crescimento econômico.
“Como usual, o Comitê focará nos mecanismos de transmissão da conjuntura externa sobre a dinâmica de inflação interna e seu impacto sobre o cenário prospectivo. Reforçou-se, ademais, que um cenário de maior incerteza global e de movimentos cambiais mais abruptos exige maior cautela na condução da política monetária doméstica.”
Inflação local
O Copom avaliou que o cenário de inflação de curto prazo segue adverso, com os preços de serviços, bens industriais e alimentos pressionados. No caso de alimentação, o BC repetiu que esse aumento deve se propagar para outros itens no médio prazo.
“Para além das variações dos itens, ou mesmo das oscilações de curto prazo, o Comitê se deteve na análise de que os núcleos de inflação têm se mantido acima do valor compatível com o atingimento da meta há meses, corroborando a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda.”
Em relação às expectativas de inflação, o BC manteve a sinalização de desconforto devido à manutenção da distância em relação a meta, o que torna o cenário de inflação mais adverso. Com isso, todos os integrantes do Copom concordaram que esse ambiente exige “uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
“O cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos. Na discussão sobre o tema das expectativas de inflação, a principal conclusão obtida e compartilhada por todos os membros do Comitê foi de que, em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado.”
Fiscal
Assim como tem feito nos últimos anos, o BC destacou um parágrafo na ata para a política fiscal. Dessa vez, disse diretamente que a condução das contas públicas foi um “estímulo significativo” para a atividade econômica nos últimos anos.
“O Comitê avalia que uma política fiscal que contribua para a redução do prêmio de risco e atue de forma contracíclica contribui para a convergência da inflação à meta. Além disso, a percepção dos agentes econômicos sobre o regime fiscal e a sustentabilidade da dívida segue tendo impacto sobre os preços de ativos e as expectativas dos agentes”, disse.
“Dada a política fiscal corrente e futura, adotará a condução de política monetária apropriada para a convergência da inflação à meta”, acrescentou, reforçando ainda a necessidade de a política monetária e a fiscal serem harmoniosas.
Fonte: O Globo
VoltarE comece a receber as notícias semanalmente direto no seu e-mail!
Quem somos Olá somos o Sindicato dos Bancários de Tubarão e Região, o endereço do nosso site é: https://www.bancariostb.com.br. A privacidade dos usuários em nosso site é uma prioridade e responsabilidade do Sindicato dos Bancários de Tubarão e Região e nessa Política de Privacidade esclareceremos como serão tratadas suas informações. Ao acessar o site do […]
Para conhecimento de todos, o Sindicato dos Bancários de Tubarão e Região disponibiliza o acesso do levantamento contábil trimestral e anual da entidade.