“Desenrola antes do rolo” travou na largada

22/05/2026

Desenrola 2.0 livra bancos dos prejuízos da inadimplência, mas a versão para quem mantém dívida em dia reduz a rentabilidade das instituições

O próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou há alguns dias que o programa Desenrola 2.0, na sua principal faixa, o Desenrola Famílias, nos seus primeiros 10 dias de execução, concluíra a negociação de R$ 1 bilhão, referentes a 100 mil contratos, metade dos pedidos já em análise.

Não é um número elevado diante do público-alvo de 80 milhões de cidadãos inadimplentes, cerca de metade da população adulta, com potencial para renegociar de R$ 50 bilhões a R$ 70 bilhões. Mas, diante da forte adesão do setor bancário ao novo programa, a expectativa é de que as renegociações ganhem aceleração no decorrer do tempo, até o fim inicial do programa, fixado em 90 dias.

RESISTÊNCIA DOS BANCOS
Uma perna complementar do programa, um Desenrola para quem ainda está em dia com os pagamentos de suas dívidas, anunciado pelo governo, porém, está travado. Diferentemente da versão do programa para inadimplentes, a chamada indústria bancária está oferecendo resistência a aderir à renegociação para quem não está inadimplente.

A ideia do governo, ao anunciar a preparação de um “Desenrola antes do rolo”, tem lógica. Se não forem oferecidos os benefícios de descontos no montante da dívida e juros de no máximo 1,99% ao mês para a dívida renegociada também aos que estão em dia com suas prestações, a mensagem transmitida aos cidadãos não pode ser mais clara: “Você é um otário”.

Se aos que se esforçam para manter o carimbo de bons pagadores é vedado o acesso a benefícios concedidos a maus pagadores, a decisão natural é que será mais negócio se tornar inadimplente. Em termos lógicos, e no extremo, só aqueles com exacerbados princípios morais deixariam de migrar para a inadimplência.

“RISCO MORAL”
Em resumo, é “risco moral” na veia. “Risco moral” (do inglês “moral hazard”) pode ser definido como o incentivo à adoção de práticas ou comportamentos irresponsáveis, na expectativa de que a irresponsabilidade será perdoada no futuro.

A resistência dos bancos em aderir a esse “Desenrola antes do rolo”, em comparação com o apoio e adesão maciça ao Desenrola 2.0, também tem sua lógica. A inadimplência prejudica severamente os resultados dos bancos, reduzindo seu lucro, ao exigir a formação de reservas para provisão de devedores duvidosos.

MAIS PROVISÕES PARA DEVEDORES DUVIDOSOS
Depois da crise global de 2008, as regras para provisão de inadimplentes ficaram mais rígidas, exigindo das instituições financeiras a constituição de provisões antes mesmo do início concreto dos atrasos no pagamento de dívidas. Como resultado, evitar a inadimplência passou a ser mais crítico na gestão bancária.

Além disso, como tem afirmado o presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, ex-diretor do Banco Central, a renegociação de dívidas em dia, de uma forma genérica, “praticamente anularia a rentabilidade das operações”.

É fácil de entender que, de fato, ao renegociar, com descontos, prazos mais longos e juros menores, um empréstimo que está sendo pago sem atraso opera reduzindo a rentabilidade da operação em relação ao contrato original, com prazos menores e juros maiores.

“NEGÓCIO DA CHINA”
Para os bancos, portanto, a redução ou eliminação dos prejuízos com a inadimplência, obtida com garantias bancadas pelo governo, é um “negócio da China”, que tende a elevar os lucros.

Já a renegociação de dívidas em dia, para as quais as garantias que o governo possa oferecer são, em tese, desnecessárias –já que os clientes em dia tendem a manter a adimplência–, representa perda de receitas e de margens de lucro.

Pode ser que o governo encontre uma saída para esse tipo de quadro e consiga a adesão dos bancos para esse “Desenrola antes do rolo”. Mas também pode não ser coincidência que, desde o anúncio, há duas semanas, dos estudos para a adoção do programa, com execução a partir dos primeiros dias de junho, nada sobre ele veio a público.

Fonte: Poder360

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