Bem-vindo ao site do Sindicato dos Bancários de Tubarão
Desaceleração em junho não deveria animar, porque a pressão estrutural sobre os preços permanece
O índice oficial de inflação desacelerou de 0,58% em maio para 0,16% em junho, um resultado melhor do que o esperado pelo mercado financeiro, cuja mediana era de 0,31%, segundo o Projeções Broadcast.
Foi o menor resultado para o mês desde 2023, ocasião em que o IPCA registrou uma deflação de 0,08%, e o suficiente para que parte dos analistas enxergasse o copo meio cheio e, consequentemente, um acerto na decisão do Banco Central que reduziu os juros no mês passado para 14,25% ao ano e mais espaço para o anúncio de um novo corte na reunião dos dias 4 e 5 de agosto.
Não há quem não deseje que o País tenha uma taxa básica de juros mais civilizada, mas os números exigem mais sangue frio. O alívio veio, sobretudo, do grupo Alimentos e Bebidas, que caiu 0,24%, um comportamento comum nessa época do ano, tanto que ocorreu em 2025 e 2023. O grupo é um dos que mais pesam no cálculo do índice (21,75%) e, sozinho, contribuiu com um impacto negativo de 0,05 ponto porcentual no índice cheio.
Parte da deflação de alimentos, segundo o IBGE, está relacionada ao comportamento dos combustíveis, que recuaram pelo segundo mês consecutivo e caíram 0,48% em junho. Os combustíveis também são um dos que mais têm peso no cálculo da inflação, com 6,22%. Seu desempenho foi influenciado pela redução das cotações do barril de petróleo após o cessar-fogo anunciado por Estados Unidos e Irã – uma trégua que, como se esperava, nem de longe representava o fim definitivo do conflito.
Seria absurdo dizer que o cenário como um todo melhorou apenas por conta de um resultado pontual do IPCA, mesmo porque os problemas da inflação permanecem fundamentalmente os mesmos. Em 12 meses até junho, o IPCA acumula alta de 4,64%, acima da meta de 3% e do limite superior, de 4,50%. Os serviços subiram 0,34% em junho, mas ainda rodam bem acima da inflação cheia e registram alta de 5,9% em 12 meses.
Quanto ao segundo semestre, às incertezas sobre a guerra no Oriente Médio somam-se as prováveis pressões que virão das consequências do Super El Niño na safra agrícola. O mercado de trabalho continua apertado, e a taxa do desemprego medida pela Pnad Contínua fechou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, a menor para o período, de acordo com o IBGE.
As projeções de inflação para o chamado “horizonte relevante” que guia as decisões do Banco Central – seja o último trimestre de 2027, seja o primeiro trimestre de 2028 – permanecem acima do centro da meta. O próprio Banco Central reconheceu que há mais chances de que a inflação suba do que caia nos próximos meses.
Ninguém sabe se Luiz Inácio Lula da Silva vai realmente cumprir o defeso eleitoral, mas as medidas de crédito que o governo lançou nos últimos meses mal entraram em vigor. Tudo isso seria mais que suficiente para que o Banco Central revisse o plano de corte de juros que sinalizou em março. Fossem outros tempos, a autoridade monetária seria a primeira a recomendar que o índice de inflação registrado em junho fosse interpretado com mais prudência e menos entusiasmo.
Fonte: Estadão
VoltarE comece a receber as notícias semanalmente direto no seu e-mail!
Para facilitar o acesso aos sites de interesse dos bancários, o Sindicato recomenda os seguintes links:
Um sindicato atuante, bem estruturado, é a demonstração clara de uma categoria bem organizada e unida, fortalecida para os conflitos naturais que se estabelecem na relação entre capital e trabalho.