Bradesco passa a prever mais cortes de juros

21/09/2026

(Por Victor Rezende, Valor)

À medida que os efeitos dos juros se tornam mais visíveis e se refletem em uma desaceleração da atividade econômica, o Bradesco acredita que o Banco Central terá espaço para seguir reduzindo os juros

À medida que os efeitos da política monetária se tornam mais visíveis e se refletem em uma desaceleração um pouco mais intensa da atividade econômica, o Bradesco acredita que o Banco Central terá espaço para continuar a reduzir a taxa básica de juros. A pausa no ciclo de flexibilização monetária, assim, foi deixada de lado nas projeções do banco, ainda que o ponto final não tenha sido alterado em revisão de cenário publicada nesta sexta-feira.

“Sem uma desvalorização cambial relevante, dada a desaceleração da economia, há espaço para continuidade do ciclo de calibração dos juros”, diz a equipe de economistas liderada por Fernando Honorato Barbosa, que alerta, porém, que o espaço pode ser “menor ou inexistente” em um cenário de reprecificação do dólar ou se o real piorar de desempenho por dúvidas fiscais.

“O BC tem se mostrado dependente dos dados, sem uma clara sinalização à frente. Assim, se nosso cenário base de certa estabilidade da moeda se mostrar correto, não há por que o BC interromper os cortes de juros, especialmente diante da desaceleração da economia e, por isso, passamos a incorporar cortes adicionais em 2026, até 13,25%, mantendo a expectativa de afrouxamento até 11% em 2027”, escrevem os economistas do Bradesco.

O processo de desaceleração da atividade mencionado pelo banco se traduz nas projeções. O Bradesco cortou a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,9% para 1,7% e reduziu a projeção para o PIB de 2027 de 1,3% para 1,0%. “A divulgação do PIB do segundo trimestre confirmou o que os dados mensais já sugeriam: uma desaceleração mais intensa da economia, mesmo em um período em que diversos estímulos estão em vigor. Os dados do início do terceiro trimestre indicam que essa tendência de moderação continua e são poucos os vetores de crescimento para o próximo ano”, observam os economistas.

Isso também se traduziu nos números de inflação projetados pelo Bradesco. O banco reduziu a projeção deste ano de 5,0% para 4,9%, ao notar que a inflação tem desacelerado após os choques relevantes observados no início do ano.

“Em 12 meses, o IPCA voltou a ficar levemente abaixo do teto da meta de inflação, mas deve voltar a superá-lo nos próximos meses quando os efeitos do El Niño e do recrudescimento da guerra voltarem a pressionar o índice. O governo tem conseguido limitar os impactos via preços de combustíveis, mas os preços de outros derivados devem começar a subir para o produtor. Em relação aos combustíveis, esperamos reoneração dos impostos da gasolina à medida que os preços de petróleo recuarem, sem impacto relevante para o consumidor final no ano que vem”, diz o Bradesco.

Para 2027, o banco espera algum repasse altista de preços devido à nova fase da reforma tributária e a uma eventual redução da jornada de trabalho, “ainda que esses efeitos sejam difusos e bastante difíceis de estimar”. A desaceleração da economia e do mercado de trabalho, contudo, tendem a limitar a capacidade de repasse desses fatores para o consumidor, “mas as medidas são inéditas e, por isso, trazem alguma cautela”. O Bradesco, por ora, continua a projetar o IPCA em 4,1% no próximo ano.

Este conteúdo foi originalmente publicado no Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

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Fonte: Valor Investe

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