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Fundo de pensão pediu reunião com acionistas para destituir presidente do colegiado. Recomendação é votar contra a proposta (Por Vinicius Neder)
A Previ, fundação de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil (BB), ficou “desconfortável” com decisão do Conselho de Administração da mineradora Vale, que, em reunião na sexta-feira passada, contrariou parte de um pedido feito no último dia 11 pela entidade, maior acionista individual da companhia. Mas, agora, trabalhará pela aprovação de sua posição em votação na assembleia extraordinária de acionistas (AGE), marcada para 22 de julho, disse ao GLOBO a diretora de Participações da Previ, Adriana Chagastelles.
Em carta à administração da mineradora, a Previ pediu a convocação da AGE para destituir o presidente do Conselho, Daniel Stieler, como membro do órgão; indicou José Mauricio Pereira Coelho — que foi presidente da entidade de 2018 a 2021, entre os governos Michel Temer e Bolsonaro, e já esteve no Conselho da Vale — para a vaga; e declarou apoio à candidatura do conselheiro Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para presidente do Conselho.
Ao apreciar o pedido na sexta, o Conselho da Vale convocou a AGE, mas recomendou aos acionistas que votem contra as mudanças propostas pela Previ. O órgão recomendou que Stieler siga no cargo. E, caso a AGE decida pela destituição, o Conselho aceitou a indicação de Coelho para a vaga, mas, ao mesmo tempo, acrescentou como indicada o nome de Ieda Gomes Yell para disputar com o indicado da Previ. E declarou apoio ao conselheiro Marcelo Gasparino, atual vice-presidente do colegiado, para o cargo de presidente.
O resultado significa que as decisões serão tomadas no voto dos acionistas na AGE. As decisões foram reveladas pelo jornal Valor e confirmadas ao GLOBO por fontes que pediram o anonimato. Uma delas previu uma “disputa acirrada” na assembleia de 22 de julho.
— Lógico que a decisão do Conselho nos causou bastante desconforto. O fato de termos uma reunião que tinha uma pauta que tratava sobre a destituição de um conselheiro, que é o presidente do Conselho, e essa reunião conta não só com a participação dele, mas com ele presidindo. Mas não estamos na linha de sair entrando com nenhum tipo de ação, ou impugnação porque achamos que isso não é o melhor interesse da companhia — disse Adriana.
Um pedido de impugnação se deveria a um possível conflito de interesses no fato de que Stieler presidiu a reunião do Conselho na sexta e votou sobre o pedido da Previ.
Sinalizando que a entidade vai aguardar a decisão pela votação dos acionistas, a Previ enviou na segunda-feira uma carta à Vale pedindo a disponibilização dos documentos preparatórios para a AGE, como o manual de participação, o quanto antes, principalmente, porque o edital de convocação da AGE divulgado na sexta-feira não trazia os nomes indicados pela Previ.
A pressa se deve ao fato de que a mineradora tem muitos acionistas estrangeiros, que tradicionalmente levam mais tempo para deliberar sobre seus votos em assembleias. A cobrança pela publicação dos documentos de apoio para a AGE iriam no sentido da opção por uma decisão pelo voto.
A declaração de apoio ao nome de Ollie para presidente do Conselho sugeria que a Previ teria apoio dos acionistas estrangeiros no pedido de troca de Stieler. O executivo português com formação na África do Sul está na Vale desde 2021 e tem décadas de carreira na mineração, com experiência em mineradoras como a Anglo American.
É um perfil alinhado aos grandes investidores internacionais que têm participação relevante na Vale, como as gestoras de recursos americanas Black Rock e Capital.
Por outro lado, assim como os demais membros do Conselho, o mandato de Stieler como conselheiro está perto de terminar, em abril de 2027. Isso contribui para fomentar questionamentos sobre os motivos por trás do movimento da Previ.
Como a fundação de Previdência tem o comando compartilhado entre o BB e os funcionários do banco estatal, a Previ acaba sendo vista como via dos interesses do governo federal nas companhias em que investe.
Segundo Adriana, a Previ segue vendo esse alinhamento entre os grandes investidores independentes do exterior e suas indicações para o Conselho. A executiva também refutou quaisquer influências políticas — os próprios nomes indicados seriam sinal disso.
E negou que o momento do pedido de destituição, a menos de um ano para o fim do mandato, possa levantar suspeitas. De acordo com Adriana, a Previ já planejava a saída de Stieler desde a virada do ano:
— O que fizemos, na verdade, foi provocar, levar à assembleia, um movimento que a gente entende que é importante, dentro daquela pauta de corporation, que a gente vem traçando desde o 2017, de independência, de aumentar a autonomia da governança.
A diretora da Previ adiantou ainda que o fundo de pensão se comprometerá, após o pedido de destituição de Stieler, em não indicar novos candidatos à presidência do Conselho Vale quando da composição de chapas para a eleição prevista para a assembleia ordinária (AGO) de abril de 2027. Na ocasião, os mandatos de todos os integrantes do colegiado terminarão.
A ideia, no movimento do fundo de pensão, é que a composição da chapa a ser indicada pelo próprio Conselho para a AGO do ano que vem seja desenhada pelo nome que apoia já agora para a presidência do órgão.
Fonte: O Globo
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