Febraban aponta ‘resistência bancária’ a Desenrola para adimplentes

19/05/2026

Um programa Desenrola voltado a clientes adimplentes enfrenta “resistência da indústria bancária”, afirmou Isaac Sidney, presidente da Febraban, no Mercado Aberto, do Canal UOL.

Segundo ele, a Febraban concordou com o governo em renegociar dívidas em atraso, mas vê problemas em criar uma repactuação ampla para contratos que estão sendo pagos.

“O governo já havia manifestado o interesse de também tratar conosco eventual programa para repactuar dívidas sem atraso. Há uma resistência da indústria bancária como um todo. Repactuar de forma genérica dívidas que não têm atraso é estimular a inadimplência e fazer com que haja impactos relevantes na racionalidade econômica daquela operação.”
Isaac Sidney

Sidney afirmou que, no desenho do Desenrola para inadimplentes, os bancos ajudaram a definir linhas elegíveis, faixas de renda e condições como descontos e prazos. Ele citou um teto de juros de até 1,99% ao mês e a desnegativação de dívidas de até R$ 100.

Já no caso dos adimplentes, ele disse que os bancos acessam o histórico dos clientes e têm condições de avaliar risco, capacidade de pagamento e necessidade de garantias. Para ele, esse tipo de negociação deve ser decidida pelas instituições financeiras.

“Quando você tem uma dívida que está em curso sendo paga, deveria caber a cada instituição financeira analisar a situação concreta do cliente. É o banco que conhece a jornada de relacionamento e a capacidade de pagamento.”
Isaac Sidney

O presidente da Febraban disse que estudos do setor indicam que reduzir encargos de operações que não estão em atraso pode “anular a rentabilidade” e comprometer a lógica econômica do crédito.

“Nós temos estudos que mostram que, a depender do patamar de redução dos encargos de uma operação de crédito que não está em atraso, praticamente vai anular a rentabilidade. Não é usual que nós tenhamos programas genéricos de repactuação de uma dívida que ainda não atrasou.”
Isaac Sidney

Sidney acrescentou que a Febraban está aberta ao diálogo com o governo, mas classificou como “desafiador” e “complexo” montar uma repactuação abrangente para dívidas em dia. Ele defendeu que o foco de programas como o Desenrola é aliviar um problema conjuntural, sem atacar as causas estruturais do endividamento.

O Mercado Aberto vai ao ar de segunda a sexta-feira no UOL às 8h, com apresentação de Amanda Klein, antecipando os principais movimentos do mercado financeiro.

Fonte: UOL

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