MP do Trabalho investiga Caixa por rebaixar gerentes que barraram negócio arriscado com Master

18/03/2026

Procurada, Caixa disse que ainda não foi notificada e que retaliação ‘não faz parte da política de recursos humanos da empresa’ (Por Eduardo Barretto)

O Ministério Público do Trabalho (MPT) abriu uma investigação para apurar se houve retaliação na perda de cargo de três funcionários da Caixa Asset, braço de investimento da Caixa, que se posicionaram contra a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Banco Master em 2024.

O episódio aconteceu no ano anterior à liquidação do Master e à primeira prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro. A Caixa Asset foi notificada nos últimos dias pela Procuradoria a dar explicações sobre o caso e tem que enviar resposta até a próxima segunda-feira, 23.

Procurada, a Caixa disse que não foi notificada e que “não faz parte da política de recursos humanos da empresa punir ou retaliar seus empregados”. (Confira a íntegra da nota ao final da reportagem)

Os técnicos Leonardo Silva, Mariangela Fraga e Daniel Gracio perderam o posto de gestores de fundo de investimento da Caixa Asset poucos dias depois de se posicionaram contra o negócio de alto risco, em julho de 2024.

O parecer classificou a operação financeira de “arriscada” e “atípica”. Segundo o documento, o Master não tinha “clareza, efetividade e consistência em seus números”, com um modelo de negócios de “difícil compreensão” e “alto risco de solvência”.

A operação envolvia letras financeiras. Esse tipo de investimento de alto risco não é protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que reembolsa em até R$ 250 mil investidores de um banco quando ele é liquidado.

TCU multou ex-diretor da Caixa Asset por tentar aprovar negócio com Master
Em outubro passado, um mês antes da liquidação do Master, o Tribunal de Contas da União (TCU) multou em R$ 10 mil o ex-diretor da Caixa Asset Igor Macedo, por tentar aprovar o negócio de R$ 500 milhões com o Master.

Segundo o relator do processo, ministro Antonio Anastasia, o ex-diretor omitiu dados desfavoráveis ao Master e violou regras da estatal. O TCU recomendou que a Caixa Asset aperfeiçoasse sua política de gestão de riscos.

“Esses documentos teriam omitido informações relevantes sobre o banco, tais como resultados de pesquisa reputacional, notícias desabonadoras e processos regulatórios, além de enfatizarem somente os aspectos positivos, enviesando a tomada de decisão”, afirmou o relator, acompanhando a área técnica da Corte de Contas.

Veja nota da Caixa
“A CAIXA informa que não recebeu qualquer notificação por parte do Ministério Público do Trabalho ou da justiça trabalhista.

A CAIXA Asset é uma das quatro empresas que fazem parte do conglomerado do banco. E, como tal, tem absoluta autonomia e governança para tomar decisões técnicas, judiciais e administrativas.

A CAIXA Asset realiza, periodicamente, avaliações técnicas e de desempenho do seu time de gestores. Não faz parte da política de recursos humanos da empresa punir ou retaliar seus empregados. Eventuais substituições ou remanejamentos se dão com critério exclusivamente profissional.”

Fonte: Estadão

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