Proposta da Caixa traz avanços no ACT, mas aumento no Saúde Caixa pesa no bolso dos empregados

04/09/2026

Após dez rodadas de negociação, proposta garante reajuste com ganho real e avanços em direitos, mas novo modelo de custeio do Saúde Caixa aumenta a participação financeira dos trabalhadores e preocupa a FEEBSC

Após dez rodadas de negociação realizadas desde junho, a Caixa Econômica Federal e as entidades representativas dos empregados chegaram à construção de uma proposta para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), com vigência de dois anos.

A proposta reúne avanços em diferentes pontos da pauta apresentada pelos trabalhadores, incluindo reajuste salarial com ganho real, promoção por mérito, saúde, diversidade, inclusão, condições de trabalho e discussões sobre carreira. Por outro lado, um dos temas que mais preocupa a Federação dos Bancários de Santa Catarina (FEEBSC) é a alteração no modelo de custeio do Saúde Caixa, que amplia o peso financeiro do plano para empregados, aposentados e seus dependentes.

Para o presidente da FEEBSC, Armando Machado Filho, é preciso reconhecer as conquistas obtidas na negociação sem deixar de apontar os efeitos negativos da proposta para o plano de saúde.

“Embora tenhamos conquistado avanços importantes em diversos pontos do acordo, não podemos ignorar que o novo modelo de custeio do Saúde Caixa penaliza os empregados e aposentados. O aumento da participação dos trabalhadores representa um impacto significativo no orçamento das famílias, especialmente para quem possui dependentes. Defendemos que a Caixa assuma uma parcela maior do custeio e que a sustentabilidade do plano não seja construída transferindo uma conta cada vez maior para os bancários. O Saúde Caixa é uma conquista histórica dos empregados e precisa continuar sendo acessível para todos”, afirma Armando Machado Filho, presidente da FEEBSC.

Reajuste com ganho real por dois anos

No bloco econômico, a proposta estabelece reposição integral do INPC acrescida de 0,6% de aumento real em 2026.

Para 2027, está prevista novamente a aplicação de 100% do INPC mais 0,6% de ganho real.

O acordo contempla ainda as demais verbas econômicas, incluindo auxílio-refeição, auxílio-alimentação, cesta-alimentação e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Promoção por mérito terá até dois deltas

A proposta garante a possibilidade de concessão de até dois deltas aos empregados em 2026 e 2027.

Um ponto importante é que as metas não entrarão como critério para obtenção nem do primeiro nem do segundo delta. A Caixa retirará o Alcance.Caixa dos critérios para a promoção por mérito.

Os deltas relativos aos anos-base de 2026 e 2027 terão pagamento em janeiro.

GT discutirá carreira, PFG, PCS e processos seletivos

Outro encaminhamento é a criação do GT Trajetória, com participação das entidades representativas, para aprofundar as discussões relacionadas à carreira.

O grupo deverá tratar de PFG, PCS, Processos Seletivos Internos (PSIs) e remuneração variável. A representação dos empregados cobrou que os trabalhos tenham início o mais rapidamente possível após o encerramento da Campanha Salarial, com um calendário intensificado de reuniões.

Também deverão ser ampliadas as agendas da mesa permanente de negociação, além da realização de reuniões específicas para discutir os modelos Figital e Genesys.

Mudanças nas unidades Figital

Para as unidades Figital, a proposta estabelece que, até 31 de dezembro de 2026, não haverá penalização no Alcance.CAIXA quando o início do atendimento remoto ao cliente ultrapassar cinco minutos.

O indicador continuará disponível apenas para acompanhamento, sem efeito de penalização. Entre setembro e dezembro de 2026, o tempo regulamentar para início do atendimento remoto passará de cinco para dez minutos.

Saúde integral e atenção aos empregados

A proposta amplia o Programa Saúde Integral, com ações específicas para saúde cardiovascular e apoio em situações de dependência relacionadas ao tabagismo, substâncias químicas ou jogos.

Também está previsto atendimento especializado e contínuo a partir dos resultados identificados pelo Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

Avanços para pessoas com deficiência

Em relação às pessoas com deficiência (PcD), estão previstas melhorias no processo de enquadramento, incluindo situações relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A proposta também prevê possibilidade de mobilidade nas modalidades presencial, remota ou híbrida e redução de até 25% da jornada para realização de tratamento durante o horário de trabalho, conforme as condições estabelecidas no acordo.

Diversidade e inclusão

Entre as medidas previstas estão:

-inclusão e equidade nos processos seletivos;
-realização periódica do Censo da Diversidade;
-fortalecimento dos Coletivos de Diversidade;
-ampliação das ações de letramento;
-reforço das iniciativas de equidade de gênero;
-campanhas recorrentes contra a discriminação;
-avanços na acessibilidade física, tecnológica e comunicacional.

Flexibilização das ausências

A proposta retira o limite de idade para acompanhamento médico de filho ou enteado e permite a utilização da ausência também pelo próprio empregado.

O prazo para utilização da licença-paternidade ou da licença por casamento será de até 180 dias.

Também será criada a chamada “ausência-prevenção”, de até três dias por ano para realização de exames preventivos relacionados ao câncer e ao HPV.

Empregados de alto rendimento convocados para representar o Brasil em competições esportivas ou paradesportivas oficiais poderão ter até dez dias de ausência por ano, com implementação prevista para janeiro de 2027.

Licença-saúde e férias

Durante a licença-saúde, o adiantamento salarial passa a ser opcional, e a cobrança ficará suspensa até a conclusão das instâncias de recurso. Em caso de indeferimento, haverá possibilidade de parcelamento ou compensação.

Também está prevista a possibilidade de converter dias de férias em valores sem a necessidade de usufruir o período correspondente, observadas as regras estabelecidas no acordo.

Saúde Caixa: novo custeio preocupa empregados

O Saúde Caixa foi um dos pontos mais sensíveis das negociações.

Segundo os dados apresentados pela Caixa, o plano possui déficit projetado de R$ 743 milhões em 2026. Para enfrentar esse cenário, a empresa apresentou um novo modelo de custeio, com mudanças nos percentuais e valores pagos pelos beneficiários.

Apesar das medidas apresentadas pela Caixa para contribuir com o equilíbrio financeiro do plano, a FEEBSC avalia com preocupação o aumento da participação financeira dos empregados, aposentados e dependentes.

A Federação defende que a busca pela sustentabilidade do Saúde Caixa preserve o caráter solidário do plano e não comprometa sua acessibilidade, principalmente para famílias com maior número de dependentes.

Compromissos apresentados pela Caixa

Como parte da proposta, a Caixa prevê um montante estimado de R$ 536 milhões de aporte ao plano.

Também estão entre os compromissos:

-antecipação das parcelas da Caixa referentes ao 13º previstas para 2027 e 2028, contribuindo para o reequilíbrio das contas em 2026;
-retirada das despesas judiciais do PAMS do limite de 6,5% do teto de participação da Caixa;
-ampliação da rede credenciada por meio de convênios de reciprocidade, como o realizado com a Cassi;
-melhoria do acompanhamento do tratamento oncológico oral;
-realização de estudos para eventual ampliação do atual teto de 6,5% da folha de pagamento, que limita a participação da Caixa no Saúde Caixa.

Novas medidas de assistência

A proposta também contempla a criação de linhas de cuidado específicas para pessoas com hipertensão, diabetes e doenças osteomusculares, além de ações relacionadas à saúde mental.

A telemedicina ficará isenta de coparticipação, enquanto o recadastramento passará a ser anual e obrigatório.

Também estão previstos R$ 150 por consulta em pronto-socorro, fora do teto de coparticipação, e teto de coparticipação de R$ 4.800 por grupo familiar.

Haverá ainda um período de 90 dias para adesão de ex-titulares da ativa que tenham deixado o plano nos últimos dois anos.

Como ficará o novo custeio do Saúde Caixa

Empregados da ativa

Para os empregados da ativa, a proposta estabelece percentuais para o titular e valores por dependente conforme a faixa etária:

Aposentados e pensionistas

Para aposentados e pensionistas, a proposta estabelece:

Titular: 4,5% sobre previdência privada + INSS;
Dependentes: R$ 660 por vida;
Grupo familiar: teto de 9% sobre previdência privada + INSS;
Piso por beneficiário: R$ 50;
Mensalidades: 13 por ano;
Dependentes indiretos: ficam fora do teto familiar.

FEEBSC seguirá acompanhando os desdobramentos

A FEEBSC ressalta que a negociação produziu avanços em diferentes reivindicações dos empregados, mas entende que as mudanças no Saúde Caixa exigem atenção especial pelo impacto que poderão provocar no orçamento dos trabalhadores e aposentados.

A Federação continuará acompanhando as discussões sobre o plano, assim como os demais compromissos previstos no acordo, especialmente as negociações sobre carreira, PFG, PCS, processos seletivos, remuneração variável e condições de trabalho.

Fonte: Federação dos Bancários de Santa Catarina

 

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