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Na hora de declarar o Imposto de Renda (IRPF 2026), é importante verificar se os rendimentos declarados são compatíveis com os gastos que você teve, no ano anterior, usando cartões de crédito.
Isso porque, a Receita Federal mantém uma fiscalização intensificada sobre as operações de crédito para o ciclo do IRPF 2026 (ano-base 2025). O pilar central dessa auditoria digital é a e-Financeira, regulada pela Instrução Normativa RFB nº 1.571/2015, que obriga instituições financeiras a reportarem semestralmente movimentações que ultrapassem R$ 2 mil mensais, para pessoas físicas, e R$ 6 mil, para pessoas jurídicas.
Diferentemente de anos anteriores, o algoritmo do Fisco opera sob uma lógica de balanço de fluxo de caixa. Na prática, o sistema verifica se a soma das despesas e da variação patrimonial bate com o total de rendimentos declarados. Qualquer descompasso nessa equação — em que os gastos superam as receitas informadas — gera uma presunção automática de omissão de receita, retendo a declaração para análise.
-Em outras palavras, se os gastos reportados pelas instituições financeiras não forem compatíveis com os rendimentos declarados no imposto de renda, a declaração é enviada para a malha fina.
Como a Receita faz o cruzamento de dados
O reporte dos dados segue um cronograma rigoroso.
A Receita Federal recebeu os dados das movimentações do primeiro semestre de 2025 em agosto do ano passado, enquanto os dados do segundo semestre chegarão ao Fisco neste mês de fevereiro. Com essas informações, a Receita executa um cruzamento tríplice de dados:
-Disponibilidade financeira: analisa os recebimentos (rendimentos tributáveis e isentos, como dividendos e aplicações financeiras).
-Consumo de giro: confronta os recebimentos com os gastos reportados via cartões, Pix e transferências bancárias.
-Variação patrimonial: observa o patrimônio líquido registrado na ficha de Bens e Direitos em 31 de dezembro.
Projeções para 2026 indicam que até 22% das declarações de imposto de renda poderão ser retidas por inconsistências desse tipo, um salto impulsionado pela maior integração da base de dados da e-Financeira.
Situações que podem levar à malha fina
Para o contribuinte, o risco de autuação às vezes não decorre de má-fé, mas de falhas de conformidade.
Um caso típico decorre do compartilhamento de cartões: o titular do CPF responde por todos os gastos dos cartões em seu nome. Se a pessoa empresta o cartão para terceiros, cria um descompasso artificial no seu fluxo de caixa, sendo obrigado a justificar a origem de um recurso que não passou por sua conta.
Outro ponto crítico reside nos resgates de investimentos. Se ativos financeiros são liquidados para custear despesas correntes de alto valor, é imperativo que a ficha de Bens e Direitos reflita essa baixa imediata.
Se o patrimônio permanece estático na declaração enquanto o consumo reportado via cartão sobe, o auditor digital identifica uma inconsistência patrimonial grave.
Cuidados a tomar na declaração de imposto de renda (IRPF 2026)
Para mitigar riscos de autuações, que podem variar de 75% a 150% de multa sobre o imposto devido, o contribuinte precisa se atentar às informações entregues ao fisco.
-Transparência integral: declarar rendimentos isentos (dividendos, LCA/LCI), pois eles são essenciais para compor o fluxo de caixa e justificar o consumo.
-Separação patrimonial: cada CPF deve gerenciar exclusivamente seus instrumentos de pagamento, evitando a confusão patrimonial com terceiros.
-Sincronia de fluxo: as receitas devem ser sempre superiores ou iguais à soma das despesas, com a variação patrimonial negativa.
-Documentação auditável: manter extratos e comprovantes guardados por no mínimo 5 anos para pronta resposta em caso de questionamento pela Receita.
Fonte: Seu dinheiro
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